Administrar riscos ou sucumbir

Você está preparado para o desastre, ou seja, a consumação do pior? Quando falamos em risco, fazemos referência à combinação de dois fatores: 1) probabilidade de ocorrer um incidente e 2) consequências acarretadas pelo incidente. As consequências de um infarto, por exemplo, podem matar e a probabilidade de ocorrer vai ser mais elevada se a pessoa investir no sobrepeso, na falta de exercício físico, em dietas suicidas combinadas com uso abusivo de álcool e fumo, além de exposição ao estresse. Com algumas contas você pode avaliar seu risco (probabilidade x consequências) e decidir o que vale a pena.

Essa ideia simples de risco ajuda a entender riscos e tragédias empresariais. Nas empresas, caçar riscos e gerenciar os mais danosos deve ser uma obsessão porque colocar uma organização na UTI pode ser mais fácil do que se imagina. Que o digam a Varig, a PanAm, G.Aronson, Mesbla,TV Manchete etc.

A produção de minério de ferro na região de Brumadinho, Minas Gerais, representava 2% da gigantesca produção da Vale, mas poucos diretores poderiam imaginar o tamanho do impacto do rompimento da barragem, em termos financeiros, de perdas de centenas de vidas, de indiciamento criminal de funcionários, de comprometimento internacional de reputação. Só não foi pior que a maior de todas as tragédias empresariais, o vazamento de gás de uma indústria de pesticidas da Union Carbide, na cidade de Bhopal, na Índia, em 1984 quando morreram de imediato quase quatro mil pessoas e estimadas outras 16 mil mortes decorrentes. Mas fora os acidentes da natureza – como tsunamis e inundações – os demais decorrem de ação humana por estratégias empresariais equivocadas, falhas grosseiras de processos produtivos ou de manutenção e, principalmente, de falta ou inépcia de programas de gerenciamento de riscos da organização.

Empresas grandes, médias e pequenas sucumbem a crises o tempo todo, sejam de alimentos estragados, de recall de veículos com defeitos, acidentes com funcionários ou clientes, escândalos de diretores envolvidos com desvios financeiros ou com a corrupção de agentes públicos, como estamos vendo na Lava Jato com a dilapidação do patrimônio de algumas de nossas maiores empresas. Os ataques de criminosos que vem ocorrendo no estado do Ceará, coroa anos de investimentos equivocados e maus resultados na segurança pública que resultaram na crise atual. Governantes e empresários devem apreender a administrar o potencial de crise de suas áreas relevantes, pois há aspectos comuns que devem ser considerados. Primeiro que toda crise emite insistentes sinais de que está se desenvolvendo; segundo, as organizações devem monitorar indicadores de risco de suas áreas críticas e preparar planos de contingência para serem acionados em tempo hábil se os esforços preventivos fracassarem..