Escolas mais seguras no país

A tragédia ocorrida numa escola na cidade de Suzano no último dia 13 de março nos criou especial consternação pela preocupação com nossos filhos e netos em suas escolas onde se supõe estarão protegidos e também pela dor solidária em relação aos parentes e demais crianças traumatizadas com a experiencia direta naquela escola.

Não faltaram, pouco depois das primeiras notícias, aqueles que se aproveitam do momento para firmar posições num momento de dor e de luto. Políticos compareceram ao local e outros, incrivelmente, aproveitaram para reforçar obsessiva campanha pelo rearmamento da população, afirmando que haveria alguma chance de a tragédia não ocorrer se tivesse algum funcionário armado. Uma situação semelhante ocorreu em 1996 na Escócia, parte da Grã-Bretanha, quando um atirador matou 16 crianças e uma professora de uma escola primária. O choque foi tão forte que no ano seguinte as armas de fogo foram banidas do Reino Unido. Lá ocorreram 29 homicídios em 2018, como se no Brasil, três vezes maior em população, tivesse 90 pessoas assassinadas ao invés das 60 mil mortes ocorridas. Aqui acha-se que a solução seria armar funcionários. Imagine-se que metade das quase 200 mil escolas do país tivesse funcionários armados, sem o treino devido, e se envolvendo nos habituais conflitos nas escolas mais problemáticas onde alunos afrontam funcionários e professores com frequência.

Mas, afinal, nossas crianças estão ameaçadas nas escolas? Tragédias com mortes violentas em escolas ocorreram oito vezes nos últimos 17 anos no Brasil, uma a cada dois anos em quase 200 mil escolas espalhadas pelo país, o que torna o fato, apesar de gravíssimo, raro o suficiente para não justificar medidas excessivas de segurança. Existem problemas de segurança nas escolas, mas de outras dimensões como os furtos de objetos e equipamentos das escolas – que um sistema barato de alarmes e câmeras resolve – ou problemas de afronta de alunos aos professores e o inferno do bullying em que poucos alunos atormentam e traumatizam colegas. Mas é claro que sempre é bom pensar num conjunto de medidas de segurança, a começar do controle de acesso por meio de uniforme ou crachá, vigilância de pátios, corredores e banheiros. As polícias civil e militar devem, através dos efetivos de cada distrito policial, vigiar as escolas e as vias de acesso aos estabelecimentos de sua área. É importante que as escolas estaduais e municipais adotem código de conduta da disciplina escolar e discutam com pais e alunos as regras de convivência. Nos EUA, por exemplo, é motivo de expulsão do sistema público aluno que introduzir armas e drogas e agredir professor. Nos ambientes de ordem e proteção serão sempre melhores as condições para a atividade educacional..