Nossos líderes na crise

No dia 25 de fevereiro foi detectado o primeiro caso de infecção por Corona vírus no Brasil. Já estamos com mais de 3.000 registros e vivemos um dos piores cenários com o alastramento da contaminação, a previsão de exaustão precoce do atendimento hospitalar, impacto monumental na economia do país e bate-bocas inacreditáveis do presidente Bolsonaro e governadores sobre medidas de mitigação e controle da crise. Diferentemente de países unitários como França e Itália, no Brasil a responsabilidade é compartilhada com estados em algumas áreas críticas, como saúde e educação, o que requer extraordinária habilidade e liderança do presidente para buscar consensos e coordenar medidas.

Praticamente todas as crises têm um foco inicial, como num incêndio, e se propaga com diferentes graus de velocidade e de ameaça. Quanto mais demora a resposta, mais a gravidade da crise acelera e desafia os recursos de contenção.

O sistema de saúde, apesar do então presidente Lula ter declarado que estava á beira da perfeição, não tem recebido a competente atenção que deveria para responder a crise sanitária do momento. Se há falhas na detecção e na correção nos primeiros passos, o período agudo de crise se instala a partir de negações defensivas e troca de acusações.

Esse Fla-Flu amplia o clima de instabilidade e reduz o potencial de controle e de resolução dos problemas, comprometendo as soluções e assustando a população. O problema não é apenas o pânico da população, mas também na elite dirigente que, infelizmente, coloca entre os fatores decisórios os ganhos e perdas políticos para a próxima eleição.

Nessas condições, as informações passam a ser distorcidas pelo pânico, pequenos dados são superdimensionados, informação relevante provoca mais ansiedade e é deixada de lado. Um pico de crise impõe enorme desafio que vai exigir alguém capaz de tolerar tensões, lidar com conflitos e aceitar ambiguidades da situação (por exemplo, manter autoridade e ao mesmo tempo buscar o diálogo) para encaminhar soluções que reduzam os danos e encaminhem a sociedade a uma progressiva retomada da normalidade.

Mas se quiser ver lideranças mais comprometidas, veja quem fala menos de si próprio, os que buscam fortalecer esforços, que se dedicam aos resultados sem fazer gracinhas, sem agredir adversários e, sobretudo, os que não estão preocupados com o custo político de suas decisões. Esta crise passará com enormes custos e do rescaldo veremos as verdadeiras lideranças que mobilizaram seu povo e recursos para acelerar resultados para efetiva contenção.