Soldados da terceira guerra mundial

No dia 8 de maio foi registrado o marco de 75 anos do término da Segunda Guerra Mundial, com a rendição da Alemanha, justo no momento em que estamos imersos em outra guerra mundial contra um inimigo invisível, sem alvo de conquista, sem ideologia e sem liderança. Aqui a guerra já havia sido declarada em fevereiro com as primeiras invasões do Coronavírus, avisando que a coisa ia ser feia. Mas o otimismo inconsequente de quem tinha um super carnaval para tocar não permitia projetar os cenários mais graves que consideram as piores consequências. Até médicos renomados de constante presença na mídia subestimaram a força do inimigo. A crise vem eclodindo como uma guerra de múltiplas frentes, uma delas a hospitalar, que lida com as consequências da infecção, principalmente pelas falhas de prevenção que depende do isolamento social, a única vacina conhecida até aqui.

No espaço mais aberto há profissionais do serviço público que não podem recusar a prestação de serviço, mesmo com os riscos inerentes ao trabalho. Policiais e bombeiros enfrentam novos desafios. A redução da mobilidade das pessoas e veículos fez desabar os furtos e roubos, mas nas periferias, onde o isolamento familiar é precário, houve incremento de homicídios e de violência doméstica. Em alguns estados com aguda dificuldade de gestão, como no Ceará, a pandemia e os homicídios explodiram. O que toda guerra ensina é que não se manda soldados para a batalha sem armas, munição e equipamentos básicos de proteção, mas estamos assistindo as deficiências de estratégias dos “generais” que comandam estados e municípios. As diferenças de planejamento e gestão neste momento crítico mostram a falta de equipamentos e de procedimentos não só para hospitais, mas também para policiais, bombeiros, guardas municipais e agentes penitenciários. A PM em São Paulo, que dispõe de um refinado sistema de planejamento, no final de março já tinha adquirido e estocado mais de 500 mil itens de proteção de seus policiais, enquanto no Rio empresários fazem vaquinha para comprar máscaras para os policiais em pleno pico da pandemia. Agora o agravamento da crise sanitária em algumas localidades como Maranhão, Ceará e Amazonas, está impondo medidas severas (lockdown) de restrição de circulação que vão demandar o esforço policial numa ação difícil, a repressão sobre cidadãos que aumentam o perigo de contaminação.

Com a troca do Secretário Nacional de Segurança Pública, entrando o coronel Carlos Alberto Araújo Gomes da PM de Santa Catarina, espera-se que o governo federal comece a prestar o suporte que os agentes da segurança pública necessitam neste momento crítico para seus trabalhos..