Julgar toda a PM pela exceção?

Um PM estressado foi flagrado pisoteando uma senhora deitada sobre o asfalto, numa dessas imagens chocantes que acabam viralizando pela internet. Muito antes da divulgação das imagens, os envolvidos foram afastados e indiciados criminalmente pela própria PM. O jornal Folha de São Paulo exibiu editorial do dia 15 de julho com o título “PM brutal”, mostrando que as mortes em confronto, principalmente por ações do patrulhamento aumentaram 26% em 2020. Não foi mencionado que o número de policiais mortos em confronto dobrou nesse período.

Juntar casos isolados, tornando-as representativas da estratégia e das práticas da instituição é uma conclusão precipitada e desonesta porque simplifica e distorce a complexidade e qualidade dos trabalhos da PM paulista que, nos últimos 18 meses teve contatos variados com mais de 40 milhões de pessoas, praticamente toda a população do Estado. Sim, ocorreram problemas graves de conduta de seus integrantes, tanto que 280 policiais foram demitidos nesse período – cerca de um a cada dois dias. Em compensação a quase totalidade de bons policiais retirou 85 mil bandidos das ruas, quase 500 por dia.

O trabalho policial, uma das atividades mais estressantes em qualquer país, tem no Brasil um dos piores ambientes para se trabalhar, onde aos graves problemas sociais se soma a impunidade impulsionada por nossas leis e justiça criminal. Apesar desses problemas nacionais São Paulo teve a mais extraordinária redução de violência, medida pelo crime mais grave, o homicídio, que caiu 82% ao longo dos últimos 20 anos. Para se ter uma ideia dessa progressão, na cidade de São José dos Campos morreram 48 pessoas por grupo de 100 mil habitantes no ano de 2000 e vinte anos depois – 2019 – foi registrado um décimo disso: 4,9. Isso mesmo, queda de 90%. Nos bairros periféricos da região metropolitana, assim como em quase todas as cidades do Estado a queda foi acima de 80%, salvando, principalmente, jovens, pobres e, em sua maioria, negros. Aliás, vidas negras importam numa instituição que teve como comandante em 1906 um coronel negro – José Pedro de Oliveira – apenas 18 anos após a abolição.

Com quase 80% do aparato policial do Estado a Polícia Militar teve papel decisivo nessa queda com a prisão de mais de dois milhões de bandidos. Esse resultado decorre de investimentos de qualidade: o soldado da PM formado em dois anos com 2.602 horas-aula, tem como destaques as 192 horas de direito penal, 96 horas de Direitos Humanos e Ações Afirmativas, 24 horas de mediação e resolução de conflitos. E para habilitar à direção estratégica todo coronel tem mestrado e doutorado em ciências policiais.

É ingênuo, injusto e até desonesto se julgar negativamente, a partir de exceções mesmo graves, uma instituição que mostra resultados notáveis em prol da sociedade, e que por isso, merece respeito.