Capitão ou general?

Em 1970 o jornalista inglês Lawrence J. Peter escreveu um livro que fez muito sucesso (“Todo mundo é incompetente, inclusive você”) ao descrever o fato de que pessoas muito competentes tornam-se incompetentes quando elevadas a cargos superiores aos seus talentos, como um gerente financeiro talentoso que fracassa ao assumir o cargo de diretor executivo de uma grande empresa. As Forças Armadas têm critérios para selecionar e preparar seus dirigentes estratégicos para a área vital de proteger a nação, evitando os riscos de incompetentes. Oficiais chegam ao generalato após uma longa carreira de comandos de tamanhos variados, cursos cada vez mais intensos de preparação estratégica e seleção por talentos profissionais e integridade moral.

O presidente Bolsonaro saiu do Exército para se eleger deputado federal quando era capitão. Com as voltas que o mundo dá, o capitão reformado vira presidente e passa a comandar todos os generais, brigadeiros e almirantes das Forças Armadas. Suas frequentes posições por questiúnculas desgastantes que pouco ou nada melhoram a resolução dos grandes – estratégicos – problemas do país, têm suscitado a questão do preparo para o cargo presidencial. Claro que nada pode ser pior que o desastre do despreparo administrativo e moral dos anos Lula e Dilma que deu no que deu. Não basta a caneta Bic ou dizer que quem manda é ele, o presidente Bolsonaro.

O manual de liderança do Exército dos Estados Unidos (The U.S. Army Leadership Field Manual) deveria ser livro de cabeceira de Bolsonaro. Liderança militar tem importância crucial porque se trata de ganhar guerra e sustentar a defesa do país. Militar não tem plano “B” para a vitória. Lá se trata da liderança direta, aquela em que se conhece todos os subordinados, típica de tenentes, capitães e coronéis. Mas também fala da ciência dos generais, a liderança estratégica, quando se lida com contextos complexos, onde sobram áreas fora da autoridade do comando estratégico, como setores da sociedade, da política e da justiça que demandam negociação competente e passa por entendimento das posições diferentes. Líderes estratégicos desenvolvem habilidades para alcançar consensos e fortalecer coalisões.

Mas para a liderança do nível presidencial é importante que o detentor do cargo entenda seu forte valor simbólico, a representação para a população como principal ícone público. Suas posições, sua integridade, sua serenidade, os valores que defende servem de referência para largos segmentos da população e isso é uma enorme responsabilidade. A presidência é um escafandro tamanho GG para andar em grandes profundidades onde poucos conseguem ir, respirar é difícil e sair bem de lá depende de competências extraordinárias. Lula e Dilma se afogaram. O presidente Jair está começando, mas é bom entender como se anda nas profundidades do cargo que os eleitores lhe deram..

1 pensou em “Capitão ou general?

  1. Quem é esse ” especialista” para querer ensinar o presidente Bolsonaro a ser presidente?
    Prá quem teve um semi analfabeto como presidente, uma desequilibrada, ex terrorista, como ” presidenta”!!!
    Até que estamos bem.
    O cara é destemperado? Sim, se fosse para colocar um almofadinha croissant o povo votaria no João Milhão Amoedo

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