Guerra contra a polícia

A morte do negro George Floyd na cidade de Minneapolis pela ação estúpida de um policial branco, provocou manifestações contra o racismo e também contra as polícias americanas em geral, como se aquele fato isolado representasse a verdadeira face da polícia, racista, cruel e despreparada. Não é bem assim. Nos confrontos das polícias americanas com suspeitos, 36,8% das mortes são de brancos e 23,4% de negros. Alguns prefeitos, como o de Nova York, planejam cortar parte do orçamento da polícia e investir em ações sociais. Medidas sociais sempre ajudam, mas, historicamente, fracassam quando pretendem substituir o trabalho preventivo da polícia e a violência acaba recrudescendo. A polícia americana, no geral, é muito eficiente, atua dentro da lei, e nos últimos 30 anos foi o principal fator na redução da violência no país.

Essa narrativa antipolícia costuma produzir o efeito inverso. Sob vigilância mais crítica da sociedade, a polícia prefere evitar exposição excessiva, ou seja, irá menos aos bairros onde se concentram minorias, abordarão menos suspeitos para evitar acusações de racismo e reduzirá sua presença preventiva nas ruas. Após o incidente com a morte de um jovem negro em Ferguson em 2014 e o ímpeto do movimento Black Lives Matter, os assassinatos de negros nos anos seguintes -2015 e 2016 – foram os maiores num retrospecto de 50 anos.

Não há como dissociar o ataque à polícia americana com o que ocorre no Brasil com as críticas sistemáticas às polícias brasileiras. Mas não há substituto para o duro trabalho dos policiais, principalmente para os policiais militares que estão mais expostos nas ruas, tanto à violência como ao coronavírus. A experiência nossa, assim como a americana, mostra que enfraquecer a polícia automaticamente fortalece os predadores nas ruas. Vamos a um exemplo dramático. Em novembro de 1992 um contingente de choque da PM invadiu o presídio do Carandiru numa ação desastrada que resultou na morte de 111 presos e acarretou críticas generalizadas e por longo período, não só àquela tropa envolvida na ação, mas para toda a PM. No ano seguinte, 1993, os efeitos da desmotivação começaram com a queda continuada da apreensão de armas que resulta de abordagens de suspeitos e prisões. A barbárie já tinha farejado o enfraquecimento da força policial e botou a violência nas ruas: quando a apreensão de armas caiu 33%, dois anos depois, os homicídios aumentaram 49,9%. Seis anos depois tinham aumentado 160%.

Nossa “guerra” é contra os criminosos e a favor da nossa força policial. Desrespeitar, criticá-los injustamente e humilhá-los é enfraquecer seu entusiasmo e sua força para nos proteger.

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