Preparado para bater seus pênaltis?

“Baggio contra Taffarel. Se Taffarel pegar o Brasil é campeão. Todos no gol com Taffarel. Baggio e Taffarel. Vai partir. Vai que é sua Taffarel. Partiu, bateu. Caboooou! Caoooou!. É tetra! É tetra!”. Quem assistiu a final da copa de 1994 nos EUA lembra dessa narração final do Galvão Bueno, quando o italiano Baggio perdeu o pênalti decisivo. Na final do Campeonato Paulista contra o Palmeiras, dois jogadores do Corinthians também perderam pênaltis. O gol do futebol tem 7,32 metros de comprimento e 2,44 de altura, fazendo um vão de 17,8 metros quadrados. O aro do basquetebol mede míseros 45 centímetros, mas o podólogo americano Tom Amberry, aos 80 anos, fazia 500 arremessos sucessivos de lances livres, sem errar nenhum. Qual o segredo? Segundo ele, não se pode pensar que vai errar, apenas sentir repetidamente o conjunto corporal envolvido, olhar para o alvo e agir.

Por que verdadeiros craques perdem pênaltis que não erram nos treinos? Se pensar na glória de fazer o gol, no prestígio, nos abraços, nas homenagens para compensar uma vida difícil vai aumentar sua chance de errar. Esse desvio do foco interfere decididamente no desempenho pretendido. Deixar uma ação de precisão ser contaminada com preocupações egoísticas é apostar no fracasso. Jocko Willink e Leif Babin, dois veteranos dos Seals, tropa de elite dos fuzileiros norte-americanos, escreveram um livro sobre liderança em condições extremas, quando erros podem agravar perigos das tropas. Comandantes vaidosos, preocupados com a popularidade de suas ações heroicas podem ser tão perigosos como os tiros inimigos. Ou como dizem esses combatentes no livro Extreme Ownership: “quando o ego senta no banco da frente da viatura de combate alguém vai morrer”.

A pessoa está vulnerável quando exagera ao falar de si mesma, abusando em falar “Eu” ou dos verbos na primeira pessoa. Mostra que se sente fraca e precisa lutar para proteger seu eu, ou seu ego, produzindo o mau desempenho que queria evitar.

Temos muitos pênaltis para cobrar e convertê-los depende de prática constante, inclusive de proteger sua mente de pensamentos invasores. Se alguém treina a cabeça para ficar vazia, distante dos problemas cotidianos, alguns milagres acontecem porque, assim, o sistema nervoso central produz calma e lucidez. Continue cortando o pensamento cotidiano, como diz o médico americano Herbert Benson, e o corpo aumenta a produção de uma molécula gasosa chamada óxido nítrico que alivia os efeitos dos hormônios do estresse e afeta o cérebro, produzindo novas ideias. Ande, nade ou reze seu terço e treine em deixar sua mente limpa que os gols vão aparecer.

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