As forças armadas podem ajudar na segurança pública?

Foto: Agência Brasil

A crise da segurança no Rio de Janeiro com o incremento dos assassinatos, da morte de policiais e roubos acabou demandando o apoio de forças federais que acorreram ao estado com promessa de permanecer até o final de 2018, ao custo de dois bilhões de reais.

A pergunta que se faz é se esse reforço de quase oito mil militares e policiais federais reduziria a violência local. E se esse tipo de reforço resolveria em outros locais. São Paulo é o único estado que nunca solicitou apoio federal para a segurança. Tenho mais que palpite sobre isso, tenho certeza de que não vai funcionar, simplesmente porque a maioria dos problemas da violência só é afetada por esforço policial.

Pelo menos 80% dos crimes que afligem o carioca – aliás, como em qualquer lugar – nada têm a ver com o crime organizado, a preocupação central dos ministros da justiça e da defesa. Durante os jogos olímpicos havia o dobro de efetivos e recursos militares no Rio e, no entanto, os assaltos cresceram 66% no período. As operações conjuntas até aqui foram fiascos desconcertantes.

Representantes do governo federal falam em aporte de inteligência como se fosse uma substância milagrosa trazida dos laboratórios do planalto, mas não explicam por que diabos essa inteligência não impediu que entrassem 11 mil fuzis de guerra para os traficantes, o fluxo contínuo de toneladas de drogas e o domínio de mais de 800 (repetindo: 800) comunidades onde o estado não pode atender cidadãos à mercê de lideranças criminosas.

Forças armadas, no mundo todo, são preparadas para momentos extremos quando a destruição do inimigo é a alternativa para a segurança das tropas e a vitória no alcance dos objetivos militares. Blindados militares nas avenidas não intimidam ladrões das ruas ou traficantes no alto dos morros.

A Constituição prevê a convocação dos militares na chamada operação da garantia da ordem estritamente para momentos excepcionais de quebra da ordem pública, como na greve da PM no estado do Espírito Santo, onde ocorriam saques em lojas, o transporte público não saiu das garagens e foram afetados o funcionamento do Judiciário e até de hospitais públicos e escolas.

Isso é muito diferente do banditismo comum, dos assaltos, furtos e assassinatos nas ruas que dependem de conhecimentos, experiência acumulada e tecnologias próprios do trabalho policial. Infelizmente somente a própria polícia carioca pode resolver a crise que ela mesma ajudou a criar por incompetência de gestão e envolvimento de agentes com a proteção aos criminosos. É melhor que os governos cuidem de sua polícia e a sociedade prestigie seus policiais porque não há socorro possível fora de seu trabalho..

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *