O verdadeiro milagre de São Paulo

Em 1992 estava num sobrevoo de helicóptero levando o chefe da polícia da cidade americana de Baltimore para conhecer um pouco da realidade da cidade de São Paulo. Logo após o Aeroporto de Congonhas entramos pela desordenada Zona Sul da Capital. Um amontoado de casinhas com coberturas de laje e ruas improvisadas, serpenteando por bairros que foram se formando com muitas ocupações quase sem ordenação pública. Um caos urbano monumental com áreas de contrastes num território com a população do Uruguai. Assustado, o veterano policial apontou o dedo para baixo e me perguntou: “como policiar isso aí?”

Em 1991 a cidade de São Paulo tinha 9.646.000 habitantes, era uma das quatro maiores cidades do planeta e um enorme desafio para administrar a mobilidade urbana, a educação, a saúde, a poluição e, evidentemente, a segurança. Os dados estatísticos da época eram precários, mas 10 anos depois os dados da segurança se consolidaram num sistema que é mantido até hoje. E a comparação que fazemos desses dois momentos – 2001 e 2017 – nos revela uma espantosa diferença. Habituados a criticar a violência, até pela carga emocional associada aos eventos incansavelmente repetidos pela televisão, tendemos a ver esse tipo de problema sempre piorando de um ano para o outro.

Mas o que aconteceu? Em 2001 a cidade tinha registrado 5.174 assassinatos, numa proporção de 49,16 mortos para 100 mil habitantes. Em 2017, com 1,5 milhão de habitantes a mais, a cidade que completou 464 anos na quinta feira, chegou 777 homicídios, na proporção de 6,4 mortos por 100 mil habitantes. Uma queda de 86,98 %. Para fazer uma comparação: São Paulo, com 12 milhões de habitantes teve 777 assassinatos e o Ceará (9 milhões) registrou mais de 5.000; o Rio Grande do Norte, com 4 milhões de habitantes contabilizou mais de 2.500 mortes. O estado de São Paulo vem se descolando do resto do país em termos de redução da violência, ainda que esteja sofrendo da mesma legislação obsoleta. Claro que há enormes desafios em melhorar, mas não se pode deixar de reconhecer os resultados positivos e aqueles que os produziram. No seu aniversário de 464 anos São Paulo pode se orgulhar dos feitos de seus policiais, os principais responsáveis por esta destacada redução da violência, uma das maiores do mundo. Enquanto isso Baltimore registrou 56 mortes por 100 mil habitantes em 2017. E um lembrete: a cidade de São José dos Campos teve 231 homicídios em 2001, que caíram para 52 no ano passado, numa redução de 77,5%. Só no último ano a queda foi de 32%, uma das recordistas do estado. Sucesso por aqui também..

 

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