Um general no comando da segurança?

João Dória, governador eleito de São Paulo, escolheu o general da reserva João Camilo Pires de Campos para secretário da segurança. Dória havia sinalizado que escolheria um policial para a pasta, mas, como era previsível, assim que o nome de um delegado foi cogitado para o cargo começou a ventilar o mal-estar na Polícia Militar. O mesmo ocorreria se fosse indicado um representante da PM com previsíveis protestos entre os policiais civis. Esse é um dos problemas de termos duas corporações para cuidar do mesmo problema: controlar a violência. Por esse fundamento de racionalidade, em praticamente todos os países do mundo existe uma só polícia para cuidar do patrulhamento uniformizado e da investigação, com um só comando em todas as unidades.

No Chile, os Carabineros fazem as duas funções, relegando para uma polícia especializada a investigação de crime organizado; na França existem duas polícias, mas a Polícia Nacional cuida da segurança das grandes cidades e a Gendarmerie, militarizada e com 60 generais, faz todo o serviço policial nas pequenas cidades, rodovias e fronteiras. Nas polícias do mundo, seja a polícia municipal nos Estados Unidos, as polícias estaduais da Alemanha ou as polícias nacionais da França, o comando de todas as atividades policiais será dado, é claro, a policiais graduados de suas próprias instituições.

No Brasil o custo de termos duas polícias é altíssimo por duplicação de estruturas e por induzir baixa cooperação e até rivalidades explícitas que comprometem a eficiência do sistema policial. Com essa irracionalidade potencial a solução tem sido chamar alguém de fora da polícia para, ora vejam, dirigir as polícias. A direção da segurança pública pouco depende de conhecimentos jurídicos ou sociológicos. O sucesso dessa direção depende, fundamentalmente, de competência de gestão, algo que não se aprende nos bancos das faculdades sociais ou de direito.

Generais no Brasil são profissionais altamente preparados para gestão de problemas complexos, principalmente em contextos de crise, por razões óbvias. Além do preparo intenso, acadêmico e da vivência em contextos bastante diversos no país, oficiais só ascendem aos níveis mais elevados se provados em integridade em sua vida profissional e até pessoal, como é o caso do General Campos que assumirá a chefia das polícias paulistas. Tolice imaginar que o futuro secretário vá impor algum padrão de guerra nas polícias, pois seu preparo inclui sofisticada capacidade de identificar os problemas críticos de sua área de responsabilidade e definir os recursos e estratégias para resolvê-los. Não tendo as crises da maioria dos estados, a perspectiva para a segurança em São Paulo é bastante positiva, principalmente se o governo federal empreender as prometidas medidas de redução da impunidade..

 

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